Globo e SBT levaram à mesa da FIFA um pacote de queixas sobre a transmissão da Copa do Mundo 2026. Detentoras dos direitos no Brasil, as emissoras reclamaram da qualidade da geração internacional de imagens. O foco da insatisfação parte da falta de replays em lances-chave e em escolhas de enquadramento, que teriam atrapalhado a leitura dos jogos.
As emissoras encaminharam reclamações à Fifa como parte do acompanhamento formal do torneio. Até o momento desta matéria, a entidade não havia se manifestado publicamente sobre o tema. As queixas, reveladas pela coluna F5, da Folha de S. Paulo, miram tanto aspectos técnicos quanto editoriais da transmissão oficial.
Segundo as empresas, os problemas apareceram já nas primeiras partidas da competição, em diferentes partidas. A avaliação aponta para a forma como a imagem é dirigida, que, segundo o documento, interferiu diretamente na análise dos momentos mais importantes para quem acompanha pela TV aberta e pelas plataformas digitais.

Problemas com replays marcam início da Copa do Mundo 2026
Um dos pontos centrais do incômodo de Globo e SBT parte da ausência de replays em lances considerados decisivos. De acordo com os relatos enviados à FIFA, situações relevantes deixaram de ser reprisadas em mais de um confronto. A partida entre Brasil e Marrocos se destaca como principal exemplo entre jogos sem reprise em situações pontuais, especialmente nos momentos que pedem análise detalhada.
Apesar do exemplo do Brasil, a queixa não se restringe a um jogo isolado. As emissoras apontam um padrão recorrente de falhas, sobretudo em lances que normalmente receberiam múltiplos ângulos. Essas repetições, segundo a reclamação, não retornaram ao ar.
O impacto aparece na própria dinâmica das transmissões, pois comentaristas dependem desses replays para discutir decisões de arbitragem, movimentação tática ou falhas individuais. Ao relatar o problema, os canais tratam a falta de imagens como um entrave para oferecer ao torcedor a cobertura que costuma acompanhar grandes competições.
Por que o foco nas arquibancadas incomodou as emissoras?
Outro elemento questionado é a direção de imagens com foco constante nas arquibancadas durante a bola rolando. Segundo relato, a câmera demorou a voltar para o campo em alguns momentos, justamente no início de jogadas que depois terminaram em gol. As emissoras interpretam esse excesso de atenção ao público como problema direto na exibição do que acontecia no gramado, trazendo prejuízos.
O incômodo não recai sobre o uso de imagens da torcida em si, comum em grandes torneios, mas sobre o momento em que essas tomadas aparecem. Quando a equipe de geração internacional mantém o enquadramento nas arquibancadas durante um contra-ataque, por exemplo, o telespectador perde o começo da construção da jogada.
Nos relatórios enviados, esse tipo de escolha editorial é tratado como fator que atrapalha a compreensão do jogo e tira contexto de gols e chances claras.
Falhas de sinal e relatos ao vivo aumentam pressão sobre a FIFA
Globo e SBT também comunicaram instabilidades na recepção do sinal internacional da Copa. Partidas como Holanda x Japão e Estados Unidos x Paraguai registraram interrupções, bem como falhas na transmissão para o público brasileiro. Esses problemas técnicos, somados às queixas editoriais, reforçam o tom das manifestações encaminhadas à entidade que organiza o Mundial.
Os ruídos apareceram ao vivo, durante as narrações. Na cobertura de Brasil x Marrocos, Galvão Bueno, pelo SBT, e Everaldo Marques, pela Globo, comentaram no ar a falta de determinadas imagens que normalmente fazem parte do pacote oficial entregue às detentoras de direitos.
As dificuldades também atingiram o ambiente digital. A CazéTV, responsável por partidas exclusivas em plataformas online, teve a transmissão de Haiti x Escócia interrompida por cerca de 17 segundos. O corte de sinal gerou reação imediata entre quem acompanhava o jogo, e, assim como as demais emissoras, a plataforma encaminhou suas observações para que a FIFA avalie a qualidade do serviço centralizado de produção de imagens do torneio.

HBS no centro da geração de imagens e silêncio da entidade
No papel, toda essa operação de transmissão passa pela HBS, sigla para Host Broadcast Services. A empresa suíça é responsável pela produção oficial das imagens e dos sinais de rádio dos torneios da FIFA desde a edição de 2002. A função da companhia é coordenar a captação, a edição em tempo real e a distribuição desse material para as emissoras que compraram os direitos em diferentes países, inclusive no Brasil.
As observações enviadas por Globo, SBT e CazéTV fazem parte do procedimento regular de acompanhamento da qualidade de transmissão, segundo o que foi relatado. Esses documentos chegam à FIFA para análise da entidade e da HBS, que centraliza a geração do chamado sinal internacional. Até agora, porém, não houve posicionamento público da federação sobre as reclamações, nem detalhamento de eventuais ajustes em curso.
