O histórico entre Brasil e Haiti engana quem tenta prever equilíbrio numérico para esta sexta-feira (19). Em três jogos, foram três vitórias brasileiras e um agregado de 17 a 1, com o duelo mais disputado terminando em 4 a 0. Ou seja, mesmo no melhor dia, a seleção caribenha saiu de campo com quatro gols de desvantagem. Agora o cenário é outro, e as equipes se enfrentam em Filadélfia, pela primeira vez em Copa do Mundo, com um presente mais pressionado para o lado verde e amarelo.
O cenário do Mundial pesa mais para a equipe sul-americana do que para o retrospecto. Isso porque a equipe de Carlo Ancelotti chega para a segunda rodada do Grupo C sob pressão após o 1 a 1 com Marrocos na estreia, em que somou só um ponto e caiu para a terceira posição da chave.
O Haiti, lanterna e ainda zerado, entra em campo diante de um adversário de peso, mas que hoje lida com questionamentos e desfalques importantes.

Brasil x Haiti: como começa o reencontro na Copa do Mundo?
O duelo em Filadélfia, às 21h30 (de Brasília), marca o primeiro Brasil x Haiti em Copa do Mundo e o segundo jogo oficial entre as equipes. A Seleção não contará novamente com Neymar, que fora por causa de uma lesão na panturrilha e não atua há mais de um mês. Em busca de sua primeira vitória, Ancelotti tenta recolocar o time nos trilhos após a estreia frustrante em desempenho.
O recorte do torneio coloca a Seleção em situação de risco logo na segunda rodada. Com apenas um ponto, a equipe está empatada com Marrocos e vê a Escócia dois pontos à frente. Do outro lado, o Haiti chega sem pontuar e encontra justamente o adversário que mais o castigou em termos de gols sofridos.
O jogo carrega essa mistura de pressão atual e memória pesada: 17 gols brasileiros, apenas um haitiano.
Retrospecto Brasil x Haiti: 3 vitórias, 17 gols a favor e 1 contra
A primeira página dessa história foi escrita em 21 de abril de 1974, em Brasília, num amistoso de preparação para a Copa daquele ano. Com Zagallo no comando, o Brasil venceu por 4 a 0, num roteiro que mostrou a distância técnica já naquela época. Os gols saíram dos pés de Paulo César Caju, Rivelino, Marinho Chagas e Edu, cada um deixando a própria marca.
Trinta anos se passaram até o reencontro, em 18 de agosto de 2004, em Porto Príncipe, no chamado “Jogo da Paz”. Sob a direção de Carlos Alberto Parreira, a seleção goleou por 6 a 0 e ampliou de vez o abismo no retrospecto. Roger marcou dois, Nilmar deixou o dele, e Ronaldinho Gaúcho anotou três vezes, assinando ali seu último hat-trick com a camisa do Brasil. O placar virou símbolo de um amistoso marcado por clima festivo fora de campo e domínio absoluto dentro das quatro linhas.
A Seleção era a atual campeão do mundo à época do “Jogo da Paz”. Politicamente, o Brasil vivia momento de tentativa de expansão como uma referência a nível mundial no governo Lula. O país, em meio a isso, liderou uma missão de paz da ONU em um Haiti assolado pela guerra civil que levou o então presidente Jean-Bertrand Aristide a renunciar ao cargo.

O capítulo mais recente ocorreu em 8 de junho de 2016, em Orlando, pela Copa América Centenário. Com Dunga no banco, o Brasil venceu o Haiti por 7 a 1, com Philippe Coutinho em noite inspirada para anotar três gols. Renato Augusto balançou a rede duas vezes, enquanto Gabigol e Lucas Lima completaram a conta.
James Marcelin descontou e entrou para a história como o único jogador do Haiti a marcar contra o Brasil em jogos oficiais. Ele se mantém até os dias atuais como responsável pelo único gol caribenho em toda a série.
O que o passado diz sobre Brasil x Haiti?
Os três confrontos anteriores ajudam a dimensionar a superioridade brasileira, mas também expõem como o duelo sempre se desenhou em contextos específicos. Em 1974, o amistoso em Brasília fez parte da preparação para um Mundial com foco em testes táticos sob o comando de Zagallo. Já em 2004, o “Jogo da Paz” em Porto Príncipe tinha forte carga simbólica fora de campo, e a presença da Seleção serviu como gesto diplomático em meio à realidade local.
Em 2016, a goleada na Copa América Centenário contava pontos em um torneio oficial, mas não colocou as duas equipes em chave de igualdade competitiva. O 7 a 1 reforçou a escrita e deu sequência ao roteiro de jogos sempre controlados pelo Brasil do início ao fim.
A curiosidade matemática se soma a esse quadro: todos os encontros aconteceram em anos pares, 1974, 2004 e 2016, coincidência que volta a aparecer agora em 2026, em uma Copa do Mundo e sob um técnico estrangeiro no comando verde e amarelo.
