Dois torcedores norte-americanos trocaram a rotina comum por um experimento em plena Times Square. Convocados para assistir aos 104 jogos da Copa do Mundo 2026, a dupla topou ficar trancada em um cubo de vidro, diante de câmeras e curiosos, em troca de um salário de US$ 50 mil (R$ 255 mil) e exposição diária nas redes sociais.
Comandado pela Fox, o reality improvisado transformou a maior vitrine de Nova York em sala de estar pública. Lá dentro, um garçom que largou o emprego e um influenciador digital dividem sofá, telões e a pressão de reagir a cada lance sob observação constante de quem passa pela rua mais turística da cidade.

Quem são os torcedores que ganham para ver todos os jogos?
O principal personagem da experiência é Kevin Kotoko, torcedor do Liverpool, nascido em Gana e criado na Flórida. Até poucos dias antes do início do torneio, ele servia mesas em um restaurante. Ao descobrir, em uma quinta-feira, que havia sido escolhido para o projeto, tomou uma decisão direta: “Pedi demissão. Avisei na sexta que aquele seria meu último dia”, conta.
Ao lado dele está Austin Franklin, influenciador da Filadélfia acostumado a produzir vídeos para redes sociais, mas não exatamente morando dentro de um cenário cercado por vitrines. “Tem sido uma experiência muito parecida com estar no Show de Truman”, descreve. Entre um jogo e outro, ele diz que às vezes esquece do público até erguer a cabeça e perceber dezenas de pessoas olhando para dentro do cubo.
Os dois foram escolhidos entre milhares de candidatos que enviaram vídeos se oferecendo para a vaga. O pacote inclui salário, visibilidade e a obrigação de transformar o consumo de futebol em conteúdo contínuo. Para isso, precisam gravar reações, interagir com quem passa e alimentar redes sociais da emissora, também dos próprios participantes.
Rotina na Times Square: trabalho, vitrine e maratona de jogos
O cubo foi montado ao lado de um hotel de alto padrão, com cozinha, decoração temática inspirada nos países participantes e uma estrutura pensada para que os dois praticamente vivam ali durante o torneio.
O calendário, porém, não ajuda. Com a Copa ampliada para 48 seleções, o cronograma virou maratona: quatro partidas por dia, espalhadas por três fusos horários, por pelo menos três semanas. Na prática, isso significa acordar cedo, dormir tarde e manter atenção em todos os jogos, sem a opção de “pular” uma partida menos atrativa.
Kotoko resume a estratégia para aguentar o ritmo: “Simplesmente uma questão de nos alimentarmos bem e mantermos a energia. Cuidarmos de nós mesmos”. As câmeras ficam ligadas a todo momento, e segundo o torcedor do Liverpool, eles tentam se manter espontâneos.
“Acho que estamos tentando nos manter autênticos durante todo o processo. Então, trata-se de encontrar o equilíbrio entre estar envolvido com o jogo e, ao mesmo tempo, mostrar o que estamos fazendo”.
Ganhar US$ 50 mil para assistir à Copa: sonho ou experimento?
Ser pago para assistir à Copa do Mundo se tornou um gancho perfeito para chamar público em Nova York. A proposta explora o fascínio por reality shows em espaço público. Ao mesmo tempo, levanta dúvidas práticas entre os curiosos que se aglomeram na Times Square para observar o cubo por alguns minutos.
Segundo os participantes, perguntas sobre o dia a dia são frequentes: onde dormem, como lidam com as necessidades básicas, quanto tempo passam efetivamente dentro do espaço. A rotina mistura confinamento parcial, pausas para organização da produção e a sensação de estar sempre sendo observado.
Franklin admite o estranhamento: “Na maior parte do tempo, tem umas 30 pessoas nos observando, assistindo aos jogos. É uma experiência estranha”.
Do lado de dentro, o futebol segue como fio condutor. Ambos acompanham de perto a seleção dos Estados Unidos e projetam uma campanha ao menos até as quartas de final. “Esta é a nossa geração de ouro, então acho que devemos colocar essa pressão sobre eles”, afirma Kotoko. O ganês também olha para a antiga casa e espera que Gana tenha boa participação no torneio.

Como funciona essa rotina paga para viver a Copa?
O acordo com a emissora combina reality show, criação de conteúdo e resistência física e mental. Em linhas gerais, o trabalho dentro do cubo envolve:
- Assistir a todos os 104 jogos da Copa do Mundo, sem exceção;
- Reagir em tempo real aos lances para câmeras e redes sociais;
- Interagir com torcedores que se aproximam das vitrines;
- Gerar vídeos, posts e stories para diferentes plataformas;
- Manter a ambientação do espaço ligada ao clima do torneio.
Apesar da intensidade, Franklin descreve a vivência com naturalidade: “Quer dizer, estou sentado no sofá, assistindo futebol. É muito divertido. Há algo no espírito da Copa do Mundo que toma conta de tudo. Temos praticamente o emprego perfeito”.
Por fim, a rotina de Kevin Kotoko e Austin Franklin combina pressão por desempenho, exposição pública e paixão por futebol. Entre gritos de gol, celulares apontados para o vidro e uma agenda sem folga, os dois encaram seis semanas em que a vida passa em tempo real, sob luzes de neon, como se a Copa fosse, literalmente, um show permanente em plena Times Square.
