Por que o atacante mais decisivo da Seleção Brasileira não atua? Segundo bastidores que chegaram até a rua, Endrick não é escalado por razões aparentemente extracampo, ou seja, por motivos que, no mínimo, parecem obscuros.
A Nike é patrocinadora da Seleção Brasileira há 30 anos, desde 1996, e os fracassos do Brasil em Copas do Mundo parecem ter muito a ver com isso. E também com os fracassos da própria Nike. Não é de hoje que se suspeita disso. Nos tempos de Ricardo Teixeira na presidência da CBF, essa discussão já havia vindo à tona.
Os fracassos da Nike são os seguintes:
| Campeão | Copa | Marca | Perdedor | Marca |
| França | 1998 | Adidas | Brasil | Nike |
| Brasil | 2002 | Nike | Alemanha | Adidas |
| Itália | 2006 | Puma | França | Adidas |
| Espanha | 2010 | Adidas | Holanda | Nike |
| Alemanha | 2014 | Adidas | Argentina | Adidas |
| França | 2018 | Nike | Croácia | Nike |
| Argentina | 2022 | Adidas | França | Nike |
Desde 1996, quando assinou com o Brasil, a Nike conquistou apenas duas Copas do Mundo. A Adidas ganhou o dobro, quatro. A Puma venceu uma, mas há muito tempo abandonou essa disputa de gigantes, percebendo que queimava dinheiro sem retorno proporcional. Antes, porém, ela brigava pela herança histórica dos irmãos Dassler. Adi e Rudi Dassler romperam relações — dizem que por causa das esposas — e cada um fundou sua própria marca. Adi criou a Adidas; Rudi, a Puma. Venceu Adidas.
A FIFA, desde os anos 1990, quando ajudou a salvar a Adidas de uma quase segura falência por meio de uma operação que envolveu US$ 500 milhões, tornou-se “mais do que identificada” com a marca alemã. Isso a Nike sabe melhor do que ninguém. E, na visão de muitos, já entra em campo perdendo o primeiro tempo. A Nike não aceita nem a superioridade da Adidas em títulos nem, por coincidência ou não, a proximidade histórica entre FIFA e Adidas.
Seu presidente Trevor Edwards deixou o cargo em 2018. Greg Hoffman, diretor de marketing, saiu em 2020. Seu sucessor, DJ van Hameren, em 2025. Também deixou a direção global de marketing Heidi O’Neill, substituída por Nicole Graham. Em todas essas mudanças no topo da empresa, a tabela acima teve peso considerável.
Além disso, houve e há outras situações incômodas para a empresa.
A Nike jamais se conformou que Lionel Messi e Ángel Di María, protagonistas do título argentino de 2022, fossem atletas vinculados à Adidas, tanto na seleção quanto em seus contratos pessoais. Isso é derrota nessa guerra comercial. Assim como é derrota ver Alemanha, Espanha, França e Argentina vestindo Adidas. Até a Itália, desde 2023, trocou a Puma pela Adidas, imaginando que seus fracassos recentes tinham alguma relação com a fornecedora anterior. Descobriu que não era por aí.
Aí é que entra o Brasil. O Brasil seria a grande salvação. Mas o Brasil falhou e parece falhar novamente. Por que?
Brasil falhou porque a Nike, por força contratual junto à CBF, tinha autorização para organizar até 50 amistosos e exigia a escalação de oito jogadores considerados estratégicos para seus interesses comerciais. Quais eram esses oito? Não é difícil imaginar observando quem possuía contratos individuais com a empresa.

Isso pode estar se repetindo agora? SIM. Claramente pode estar se repetindo nesta Copa. A Nike, que pagava US$ 36 milhões anuais fixos, renovou o contrato que se encerraria neste ano por mais dez temporadas, até 2038, passando a desembolsar US$ 100 milhões anuais fixos para a CBF.
Nicole Graham e Amy Montagne, diretora global de marketing e presidente da Nike, respectivamente, confiam que Carlo Ancelotti — que trocou o Real Madrid da Adidas pelo Brasil da Nike — cumpra as expectativas.
E a CBF, curiosamente às vésperas da Copa, renovou o contrato do treinador italiano por US$ 12 milhões anuais. Um técnico que jamais havia comandado uma seleção nacional, apenas clubes. Ancelotti é o treinador mais bem pago entre todos os participantes da Copa de 2026. Lionel Scaloni, campeão do mundo com a Argentina, recebe cinco vezes menos: US$ 2,5 milhões anuais.
Mas, observando a modesta estreia contra Marrocos, é possível notar algo interessante: atuaram oito jogadores patrocinados pela Nike e oito pela Adidas. Abaixo, os convocados e seus patrocinadores individuais. Em maiúsculas, aqueles que participaram da partida.
- 13 jogadores são da Nike (50% do elenco) – VINICIUS JR., ALISSON, MARQUINHOS, DANILO, Bremer, Léo Pereira, Alex Sandro, Lucas PAQUETÁ, Éderson (volante), MATHEUS CUNHA, IGOR THIAGO e Rayan. Por lesão, caiu Wesley que era titular.
- 9 jogadores são da Adidas (34,6% dos 26 convocados) – GABRIEL MAGALHÃES, IBAÑEZ, DOUGLAS SANTOS, CASEMIRO, BRUNO GUIMARÃES, FABINHO, Gabriel Martinelli, RAPHINHA, LUIZ HENRIQUE.
- 3 jogadores são da Puma (11,5% dos que estão nos EUA) – Neymar, Ederson (goleiro) e Weverton.
- 1 jogador é da New Balance (3,8% da seleção) – Endrick.
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Da lista de 55 ficaram de fora 19 jogadores Nike, 9 Adidas, e 1 Puma. Até aqui, pelo que foi demonstrado, tudo indica que Ancelotti esteja agindo segundo seus próprios critérios. O caso que desperta dúvidas, curiosidade e até suspeitas é justamente o de Endrick New Balance, como passarei a chamá-lo daqui para a frente.
Então, Carletto, coloque Endrick como titular, cale a boca de todos e deixe o Brasil vencer sem se amarrar a essas porcarias de contratos nos quais o único interesse aparente é o dinheiro — esse dinheiro cujo destino quase sempre permanece incerto. Até a Nike lhe agradecerá. Afinal, bastará tirar um jogador da Adidas.
