Um torcedor do Atlético de Madrid foi preso pela Polícia Nacional por suspeita de insultos raciais contra Vini Jr. nos arredores do Estádio Metropolitano, em Madri. O caso ocorreu em 14 de abril, horas antes do jogo de volta das quartas de final da Liga dos Campeões contra o Barcelona. A detenção foi divulgada pela agência Europa Press e enquadrada como crime de ódio.
O investigado, um homem de 27 anos, vestia camisa do Atlético e acabou flagrado por uma equipe de TV brasileira fazendo ataques racistas ao atacante do Real Madrid. Nas imagens, ele associa o brasileiro a animais e utiliza termos como “macaco” e “chimpanzé” ao falar sobre o jogador. Uma cena que rapidamente circulou em perfis esportivos de todo o mundo.

Identificação ao torcedor que insultou Vini Jr.
O vídeo gravado perto do Metropolitano viralizou principalmente no Brasil e no mundo, pressionando as autoridades por uma resposta. Como Vinicius sequer participava do jogo, visto que defende o Real Madrid, a repercussão se tornou ainda maior. Assim que o material chegou à polícia espanhola, investigadores abriram um inquérito para identificar o autor dos insultos.
A partir das imagens, agentes usaram referências de rosto, roupa, voz e o contexto do entorno para cruzar informações com bancos de dados e registros internos. Essa apuração envolveu as Brigadas Nacionais de Informação de Madri e Valência, que compartilharam detalhes e possíveis pistas sobre o torcedor.
Segundo fontes policiais citadas pela imprensa espanhola, agentes mapearam o deslocamento do suspeito e realizaram diligências até chegar ao endereço em que ele estava. A operação terminou com a prisão em Valência, cidade onde o homem residiria atualmente, nesta terça-feira (16).
De acordo com a linha de investigação, o ato se enquadra na legislação espanhola de crimes de ódio. O artigo inclui condutas motivadas por raça, origem ou cor da pele, entre outros fatores. Neste contexto, o conteúdo filmado serve como peça central do processo, somado a depoimentos de testemunhas e ao material bruto captado pelo veículo que registrou a cena.
Insultos raciais a Vinicius Junior se repetem na Espanha
O episódio se soma a outros casos envolvendo ataques racistas a Vinicius Junior em solo espanhol. Em 2025, em um dos casos mais graves, torcedores ligados ao mesmo Atlético receberam condenações por ameaças em ato ocorrido dia 26 de janeiro de 2023. O grupo pendurou um boneco vestido com a camisa do Real Madrid, com nome e número do atacante, em uma ponte — simulando enforcamento.
A cena motivou manifestações de entidades esportivas e de combate ao racismo. Autoridades trataram o caso como mensagem intimidatória dirigida ao jogador, em meio à sequência de episódios de hostilidade em estádios. Desde então, ações de monitoramento em partidas de alto risco passaram a incluir um foco maior em ofensas discriminatórias nas arquibancadas e arredores.
O novo inquérito sobre os insultos raciais antes da partida contra Barcelona, em abril, ocorre nesse contexto de vigilância. A detenção do torcedor colchonero adiciona mais um capítulo a uma série de processos que envolvem a imagem de Vini e o debate sobre racismo no futebol europeu.

Qual é o momento de Vinicius Junior em campo e fora dele?
Dentro de campo, o camisa 7 segue como peça central do Real Madrid, com 22 gols e 10 assistências em 53 jogos na temporada 2025/26. O desempenho tem sido apontado por analistas como um dos motores do setor ofensivo merengue, tanto em competições nacionais quanto na Champions League.
Vinicius integra atualmente a Seleção Brasileira na disputa da Copa do Mundo 2026. Inclusive, o atacante balançou a rede na estreia contra o Marrocos, garantindo um ponto ao Brasil no empate em 1 a 1, em New Jesey. O resultado, aliás, deixou o grupo aberto na primeira rodada, com a Canarinho em terceiro lugar, a dois pontos da Escócia, que soma três.
O contraste entre o protagonismo esportivo e a recorrência de episódios de insultos raciais mantém o nome de Vini Jr. em pauta além das quatro linhas. A prisão do torcedor em Valência reforça que registros de câmeras, ações de investigação coordenadas e a aplicação da legislação de crimes de ódio passaram a compor o cotidiano ao redor do atacante brasileiro em estádios espanhóis.
