O Cruzeiro entra em 2026 com a chance de transformar três revelações da Toca em quase R$ 190 milhões. Depois de negociar Kauã Prates e Cauan Baptistella, o clube mineiro avalia uma proposta do Como, da Itália, por Kaiki Bruno, titular da lateral esquerda e último elo de uma sequência de vendas que pode chegar a R$ 187,6 milhões.
O movimento muda o peso da base no orçamento celeste. Em menos de um ano, jogadores formados no clube passaram de alternativa em elenco curto para ativos capazes de financiar reforços, reduzir pressão por receitas e redesenhar a política de uso dos jovens em Belo Horizonte.

Como a base do Cruzeiro pode render R$ 187,6 milhões em 2026?
O cálculo parte de três negociações envolvendo atletas formados nas categorias de base. A venda de Kauã Prates ao Borussia Dortmund, em janeiro, por 12 milhões de euros (cerca de R$ 70,2 milhões) abre a lista. O lateral deixou o clube após 18 partidas e um gol pelo profissional.
Na sequência, em fevereiro, o meia Cauan Baptistella seguiu rumo ao Metalist 1925 Kharviv, da Ucrânia, por 5 milhões de euros (R$ 29,7 milhões). Ele tinha apenas um jogo e uma assistência na equipe principal, mas já despertava interesse no mercado por desempenho na base.
O terceiro capítulo, mais emblemático, envolve Kaiki, outro lateral-esquerdo revelado na Toca. O Como-ITA apresentou oferta de 15 milhões de euros (cerca de R$ 87,7 milhões), que pode torná-lo a maior venda da posição na história celeste. Se o negócio avançar, a soma das transações do trio chega aos R$ 187,6 milhões em 2026, consolidando a base como importante fonte de caixa.
Kaiki: de promessa discreta a pilar na lateral esquerda
Nascido em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Kaiki chegou cedo ao Cruzeiro e subiu ao profissional em 2021 cercado de expectativa. Ficou quatro temporadas em condição de reserva, rodando elenco, entrando em momentos específicos de jogos e, muitas vezes, funcionando como alternativa em períodos de lesão de outros atletas.
A virada veio em 2025, quando o lateral se firmou como peça constante no time. Com desempenho sólido no setor defensivo, passou a ocupar espaço de titularidade e ganhou sequência também em 2026. Ao longo da trajetória com a camisa celeste, soma 135 partidas, dois gols e nove assistências, além do título do Campeonato Mineiro de 2026.
A oferta do Como chega justamente em meio ao período de consolidação, inclusive com interesses de grandes do Brasil. O clube italiano mira um lateral que já acumulou experiência em jogos de alta exigência, enquanto o Cruzeiro se apoia no histórico recente do jogador para justificar a pedida financeira e avaliar o melhor momento de liberar mais uma cria da base.
Venda de Kaiki abre espaço ou fecha portas na lateral?
A possível saída da joia não acontece em cenário de vazio no elenco. Isso porque o Cruzeiro acertou a contratação de Gabriel Rojas, lateral-esquerdo que estava no Racing, da Argentina, e chega para disputar a posição. O acordo com o argentino reforça a leitura de que o clube se prepara para perder o titular formado em casa.
Com Rojas como opção imediata, a comissão técnica ganha segurança para liberar Kaiki e, ao mesmo tempo, analisar quem será o próximo jovem a se aproximar do time principal no setor. O departamento de futebol passa a trabalhar com uma combinação de estrangeiros experientes, atletas em afirmação e novas promessas.
Em termos esportivos, a transição exige ajuste. Um lateral que conhece o ambiente, o campeonato e os rivais pode deixar o clube, enquanto outro, vindo de contexto diferente, precisa se adaptar a calendário, estilo de jogo e pressão de torcida numerosa. O equilíbrio entre encaixe técnico e retorno financeiro se torna ponto central na tomada de decisão celeste.

O que muda para o planejamento do Cruzeiro com essas vendas?
A sequência de negociações com Kauã Prates, Cauan Baptistella e Kaiki coloca a base no centro da estratégia financeira do Cruzeiro em 2026. Em um cenário de forte competição por receitas de televisão, bilheteria e patrocínio, transformar jovens formados no clube em valores de oito dígitos em reais passa a ser parte relevante do plano de sustentabilidade.
Esse modelo tende a influenciar também a forma como os garotos são utilizados no profissional. A tendência é que atletas com potencial de mercado recebam minutos em cenários específicos, sejam monitorados de perto por departamentos de desempenho e tenham gestão de carreira alinhada com possíveis janelas de transferência para Europa e leste europeu.
Ao final, a balança entre necessidade de vender, ambição esportiva e expectativa do torcedor define o rumo. Em 2026, o Cruzeiro tem na mesa uma equação clara: manter um titular consolidado ou confirmar uma proposta que ajuda a fechar as contas do ano e reforça a imagem da Toca como fonte recorrente de talentos negociáveis.
