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Entenda o gesto que pode tirar um árbitro da Copa do Mundo; principais consequências

by Redação
15/06/26 14:30:06
in Giro Sportbuzz
Entenda o gesto que pode tirar um árbitro da Copa do Mundo; principais consequências
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Em pouco mais de sete segundos diante das câmeras, o árbitro australiano Shaun Evans passou de anônimo do quadro técnico da Copa do Mundo 2026 a alvo de investigação disciplinar. Durante Alemanha 7 x 1 Curaçao, em Dallas, ele apareceu na transmissão oficial com a mão direita próxima à perna direita, formando o gesto de “OK” invertido. Segundo o monitor de discriminação ligado à FIFA, trata-se de um símbolo ligado à supremacia branca. A Fare network cobrou o afastamento do oficial do VAR do torneio.

O caso estourou no dia seguinte ao jogo, quando o registro da transmissão passou por análise dos responsáveis por mapear condutas discriminatórias. A partir desse relatório, a Fare network, parceira institucional da FIFA no combate ao racismo, levou o episódio ao centro do debate. Para a entidade, o gesto visto na cabine não pode receber tratamento neutro em plena Copa do Mundo.

Shaun Evans virou alvo de investigação durante a Copa 2026 após um gesto captado pelas câmeras da cabine do VAR. (Créditos: Reprodução/Fifa)

O que significa o gesto “OK” no caso Shaun Evans?

No cotidiano, ele costuma indicar algo simples, como concordância ou aprovação. No episódio de Evans, porém, chama atenção o formato: polegar e indicador unidos formando um círculo, três dedos estendidos, a mão voltada para baixo, ao lado da perna. Essa versão invertida, segundo especialistas em discurso de ódio, passou a ser usada em círculos extremistas como código de “poder branco”.

A Fare network afirmou em comunicado que o movimento flagrado na cabine de vídeo se encaixa justamente nesse padrão. A organização classificou o gesto como vinculado a ambientes neonazistas e defendeu que o árbitro não atue mais na Copa 2026. “Esse oficial não deveria exercer mais nenhuma função neste Mundial”, registrou a entidade ao encaminhar o pedido formal de afastamento.

Procurada pelo jornal britânico The Telegraph, a FIFA confirmou que abriu uma investigação urgente para analisar o episódio. A entidade não divulgou, até o momento mais recente, detalhes sobre depoimentos ou prazos. No entanto, reconheceu que a imagem está sob avaliação disciplinar.

Gesto “OK” apropriado por grupos supremacistas

Em 2017, usuários do fórum americano 4chan lançaram uma ação coordenada, batizada internamente de “Operation O-KKK”. A proposta visava espalhar a narrativa de que o gesto de “OK” representaria as letras “W” e “P”. Ou seja, iniciais de “White Power”, como se sempre tivesse sido um símbolo supremacista.

O plano, naquele momento, tinha caráter de provocação: criar confusão, expor grupos antirracismo a acusações de exagero. Com o tempo, no entanto, parte de militantes de extrema direita passou a usar o gesto como elemento de identificação. A Anti-Defamation League (ADL), organização criada em 1913 para combater o antissemitismo, começou a registrar esse uso recorrente a partir de 2019.

Um dos episódios mais citados pela ADL é o de Brenton Tarrant, responsável pelo ataque a duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia. Ao aparecer diante do tribunal, ele olhou para as câmeras e fez o “OK” invertido, associando o gesto a um ato de violência com motivação extremista.

Depois desse e de outros casos, a ADL incluiu o símbolo em seu banco “Hate on Display”, que reúne marcadores usados por grupos de ódio. A entidade, porém, reforça que o uso cotidiano do “OK” segue existindo sem ligação com supremacismo. O alerta vale para contextos e ambientes específicos.

Quais as consequências possíveis para o árbitro?

Com o pedido de afastamento em mãos, a FIFA tem agora um cardápio de medidas disciplinares que vão além do debate simbólico. O regulamento da entidade veda manifestações discriminatórias ou ligadas a extremismo por parte de qualquer oficial envolvido em competições organizadas sob seu guarda-chuva.

  1. Retirada das escalas da Copa: a consequência mais imediata seria não designar Shaun Evans para novos jogos. Nem como árbitro de vídeo nem em outras funções técnicas. Essa medida pode ser adotada mesmo antes da conclusão formal do processo, como forma de proteger a imagem do torneio.
  2. Processo disciplinar na Comissão Disciplinar: paralelamente, o caso pode ser levado ao órgão responsável por julgar condutas de jogadores, dirigentes e oficiais. Nesse ambiente, analisam contexto, intenção, histórico e impacto público. As punições vão de advertência escrita à suspensão de jogos e competições futuras. Além da possibilidade de multa.
  3. Reflexos na carreira internacional: ainda que a sanção formal seja limitada, a simples abertura de investigação por gesto ligado a supremacismo tende a pesar em futuras nomeações para jogos de Copa, eliminatórias e torneios de clubes organizados pela FIFA.

Enquanto a Fare network já cobrou publicamente o afastamento, a FIFA ainda evita declarações mais extensas. A demora, inclusive, gerou críticas de quem acompanha casos de discriminação no esporte.

Com câmeras permanentes na cabine do VAR, bastidores passaram a receber o mesmo nível de escrutínio aplicado aos jogadores. (Créditos: Reprodução/Fifa)

Que impacto do caso para o VAR e para as transmissões da Copa?

O episódio com Shaun Evans reforça que a sala do VAR deixou de ser um bastidor invisível. Câmeras internas, monitores e closes em árbitros de vídeo já fazem parte do pacote televisivo da Copa. Portanto, qualquer gesto captado ali passa a circular na mesma velocidade de um gol revisado ou de um cartão vermelho checado.

Na arbitragem, o caso funciona como lembrete de que o ambiente de Copa transforma qualquer gesto em mensagem potencialmente analisável. Sinais passam a ser revistos à luz de novos contextos. No centro dessa mudança está justamente a situação de Evans: um gesto curto, feito longe do campo, mas visível para o planeta inteiro. Capaz de colocar um árbitro de vídeo sob risco de deixar a principal competição do futebol mundial.

Leia a matéria original

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