Daniel Noboa escolheu a camisa da seleção para fazer uma promessa direta aos torcedores: a cerveja no Equador deve ficar mais de 20% mais barata durante a Copa do Mundo. A medida não mexe no preço por decreto, mas na carga tributária. O governo anunciou a isenção temporária de um imposto específico sobre bebidas alcoólicas consideradas de consumo moderado, com foco evidente no período de jogos.
O anúncio ocorreu em El Empalme, na província de Guayas, na quinta-feira (11), diante de um público que reagiu com aplausos e gritos. Noboa ligou o desconto na cerveja ao clima de Copa e à confiança na campanha da seleção. Segundo o presidente, a ideia é que o torcedor possa acompanhar o Mundial gastando menos no copo enquanto acompanha a trajetória do Equador no torneio.

Cerveja 20% mais barata na Copa: qual a promessa?
A proposta do governo equatoriano é zerar temporariamente o Impuesto a los Consumos Especiales (ICE) para bebidas alcoólicas de teor moderado, entre elas a cerveja, durante todo o período da Copa.
“Vamos isentar do Imposto sobre o Consumo Interno (ICE) todas as bebidas destinadas ao consumo moderado, incluindo a cerveja, durante todo o período da Copa do Mundo. Dessa forma, o preço da cerveja cairá em mais de 20%”, afirmou Noboa. A medida se mantém até 19 de julho, dia da final do Mundial.
Na prática, a chamada “cerveja 20% mais barata” é uma projeção oficial. A retirada do tributo diminui o custo para a indústria e para o comércio, mas o repasse integral ao consumidor depende de bares, restaurantes, supermercados e demais pontos de venda. Por isso, especialistas em direito e economia apontam que afirmar a redução como fato consumado abre margem para questionamento jurídico. Assim, o cenário mais preciso é tratar o benefício como promessa ou expectativa de queda de preço.
O governo atua no componente tributário da formação de preços, na mesma linha de políticas usadas em outros países para combustíveis ou itens da cesta básica. A diferença, neste caso, é o recorte temporal e temático: a vigência está amarrada ao calendário da Copa e voltada a um produto diretamente associado ao evento.
Como funciona a isenção do ICE e o que pode mudar?
O ICE é um imposto cobrado sobre consumos considerados especiais no Equador, como bebidas alcoólicas, cigarros e outros produtos específicos. Ao anunciar a eliminação temporária dessa taxa para bebidas de moderação, o governo reduz um dos componentes do preço final da cerveja. A partir daí, fabricantes e distribuidores passam a operar com menor carga tributária durante o torneio.
Do ponto de vista do torcedor equatoriano, espera-se encontrar cerveja mais barata em diferentes ambientes durante a Copa. Ou seja, em bares, supermercados em promoções temáticas e festas privadas que costumam crescer nesse tipo de evento. Porém, como se trata de repasse obrigatório, o valor na gôndola ou no balcão pode variar entre regiões e estabelecimentos.
O Equador está no Grupo E, ao lado de Alemanha, Costa do Marfim e Curaçao, e estreia no domingo, 14 de junho, contra os marfinenses. O atacante Enner Valencia, recuperado de lesão e confirmado para o confronto, é uma das referências ofensivas que alimentam a fala otimista de Noboa:
“Cada um de vocês poderá aproveitar a Copa do Mundo da melhor maneira possível. Com a seleção excepcional que temos, que irá muito longe no torneio.”

Medida já está valendo ou ainda depende de decreto oficial?
Apesar do anúncio em tom categórico, a promessa de cerveja 20% mais barata durante a Copa ainda passa por um ponto crucial: o decreto que regulamenta a isenção não foi publicado. O Executivo equatoriano não divulgou, até o momento, o documento que detalha como será aplicada a eliminação temporária do ICE, nem eventuais limites de volume, tipos de bebidas incluídas ou mecanismos de fiscalização.
Esse intervalo entre discurso e formalização é decisivo. Sem decreto ou normativa específica, a indústria e o varejo não conseguem ajustar com segurança suas tabelas de preços, campanhas promocionais e contratos com fornecedores. A medida só ganha força jurídica e operacional quando os detalhes aparecem no papel, com regras claras sobre período de vigência, critérios de enquadramento das bebidas “de moderação” e formas de controle estadual.
Enquanto o texto oficial não sai, o anúncio de Noboa cumpre um papel simbólico às vésperas do Mundial: sinaliza uma tentativa de aliviar o bolso do torcedor e associar a imagem do governo a um clima de festa. Na prática, o impacto real nas geladeiras, nos bares e nas arquibancadas dependerá da publicação do decreto, da adesão do varejo ao repasse dos benefícios fiscais e do desempenho do Equador em campo, que tende a ditar quanto o país vai, de fato, brindar durante a Copa do Mundo.
