A Copa do Mundo de 2026 inicia em meio a uma série de tensões diplomáticas que já afetam seleções, árbitros e torcedores. Às vésperas da abertura do torneio, marcada para esta quinta-feira, 11, questões relacionadas a vistos, imigração e segurança colocaram os Estados Unidos, um dos países-sede da competição, no centro das atenções.
Restrições ao Irã
Um dos principais focos da polêmica envolve a Seleção do Irã. Desde os ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, no fim de fevereiro, a participação iraniana passou a ser acompanhada por incertezas.
Embora o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenha confirmado a presença da equipe e a realização de jogos em solo norte-americano, a delegação enfrentou dificuldades para obter vistos. Os atletas receberam autorização para entrar no país apenas dez dias antes do início do torneio. Além disso, a Federação Iraniana de Futebol acusou os Estados Unidos de adotarem um comportamento “vingativo” ao negar vistos para 14 integrantes da equipe administrativa.
O planejamento inicial da seleção iraniana previa um centro de treinamento no Arizona, mas a federação optou por transferir sua base para o México. Outra limitação envolve a permanência da delegação em território norte-americano entre as partidas. Segundo o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, “De acordo com o visto deles, aparentemente eles podem ir de manhã e voltar à tarde”. Além disso, a Fifa revogou a distribuição de ingressos destinada aos torcedores iranianos para os jogos da fase de grupos.
A equipe fará seus dois primeiros compromissos em Los Angeles, contra a Nova Zelândia, no dia 15 de junho, e diante da Bélgica, em 21 de junho. O último duelo da fase inicial será contra o Egito, em Seattle, no dia 26.
Árbitro deportado
Outro episódio que chamou atenção envolveu Omar Artan, árbitro da Somália selecionado para atuar no Mundial. O profissional teve o visto negado pelos Estados Unidos, foi deportado e acabou retirado pela Fifa do quadro de arbitragem da competição.
Em entrevista ao New York Times, ele afirmou estar “desapontado” com a decisão, apesar de possuir a documentação exigida para ingressar no país. Artan relatou que passou cerca de 11 horas em entrevista de imigração após desembarcar em Miami, no dia 6.
Fiscalizações rigorosas
As exigências na entrada do país também atingiram outras delegações. A seleção de Senegal passou por uma fiscalização rigorosa ao chegar aos Estados Unidos, situação semelhante à enfrentada pelo Uzbequistão antes de um amistoso contra a Holanda.
A jornalista Karine Alves, da TV Globo, também relatou no programa “Bom Dia Brasil” que precisou levantar o cabelo durante a inspeção migratória.
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