O ponto de partida da preparação de Marrocos para encarar o Brasil na Copa do Mundo 2026 não é um centro urbano barulhento. Em vez disso, a seleção escolheu um cenário de filme: uma região arborizada de Nova Jersey, com clima de interior e logística pensada ao centímetro.
Entre um hotel de luxo discreto, uma escola de elite com galinheiro próprio e um estádio a menos de uma hora de distância, a seleção marroquina monta um quartel-general que combina conforto, privacidade e facilidade de deslocamento. Além disso, a comissão técnica valoriza o silêncio da área, considerado ideal para sessões táticas e de recuperação mental.
A poucos dias da estreia no MetLife Stadium, dia13 de junho, a delegação marroquina já vive uma rotina de bastidores marcada por horários rígidos e pequenos rituais. Dessa forma, o grupo circula entre o hotel em Warren, o centro de treinamento em Basking Ridge e a rodovia I-78, que funciona como corredor oficial rumo ao estádio.
No caminho, o ônibus de Marrocos cruza com veículos de Brasil e Haiti, vizinhos de região e rivais de grupo, e transforma um trecho calmo de Nova Jersey em espécie de “bairro da Copa”. Ao mesmo tempo, o vai e vem constante de batedores e escoltas policiais reforça o clima de grande torneio internacional.

Hotel em Warren: luxo discreto, 118 quartos e gastropub famoso
A base marroquina se instala no Somerset Hills Hotel, Tapestry Collection by Hilton, em Warren. O prédio, cercado por colinas e áreas verdes, recebe reserva integral da federação. Com apenas 118 quartos, o local cria um clima de refúgio privado, ideal para uma seleção que busca isolamento de imprensa e torcedores, mas não abandona o padrão elevado de hospedagem.
Salas de reunião foram adaptadas para análises de desempenho, sessões de vídeo e encontros táticos. Há o ponto de encontro mais comentado do hotel, que surge no TAP Restaurant and Bar, um gastropub em estilo europeu famoso em Nova Jersey. O bar exibe um longo balcão e uma carta com mais de 20 tipos de cervejas artesanais servidas sob pressão. No entanto, pelas regras internas da concentração, dirigentes e convidados costumam aproveitar mais a estrutura, enquanto isso, os atletas mantêm rotina controlada.
Ainda assim, o ambiente reforça a imagem de concentração em clima de hotel-boutique, com áreas sociais sofisticadas, porém afastadas de grandes centros urbanos. Além disso, espaços mais reservados do restaurante são utilizados para jantares da comissão técnica e reuniões com representantes da federação.
Por que o hotel de Marrocos guarda um amuleto da Copa de 1994?
O Somerset Hills não entra por acaso na lista de opções da comissão técnica e carrega uma história que, no futebol, ganha contornos de amuleto. Durante a Copa do Mundo de 1994, também realizada nos EUA, a seleção da Itália utilizou o hotel como base. Naquele torneio, a Azzurra atravessou o mata-mata e chegou à final justamente contra o Brasil, adversário de Marrocos na estreia.
Trinta e dois anos depois, Marrocos retorna ao mesmo local e estabelece um objetivo claro. A seleção quer repetir, ou até superar, a trajetória italiana em território americano. Além disso, a coincidência de enfrentar o Brasil novamente em solo norte-americano alimenta a mística interna.
CT de Marrocos: o que tem a Pingry School em 77 hectares?
Se o hotel oferece luxo discreto, o centro de treinamento de Marrocos em Nova Jersey aposta em estrutura de escola de elite com cara de complexo esportivo profissional. A delegação treina na The Pingry School, em Basking Ridge, um campus com cerca de 77 hectares de área verde, cortado por trilhas, piscinas e instalações acadêmicas de alto padrão. Além disso, laboratórios de ciências e auditórios são ocasionalmente convertidos em salas de briefing tático e palestras sobre análise de adversários.
Os campos de futebol, conjunto batizado de Miller A. Bugliari ’52 World Cup Fields, respeitam as especificações técnicas da FIFA, tanto em dimensões quanto em qualidade do gramado. Na parte interna, o Greig Family Strength & Conditioning Center reúne aproximadamente 460 m² dedicados à preparação física, com estrutura comparável à de ginásios de universidades da NCAA, a elite esportiva universitária dos Estados Unidos.
Um dos elementos mais curiosos do local foge do clichê de centro de treinamento. O campus mantém uma fazenda própria e um galinheiro, o que, aliás, surpreende muitos visitantes. Esse detalhe rural, somado às trilhas ecológicas e às extensas áreas verdes, cria uma sensação de isolamento quase total. Mesmo assim, a região permanece relativamente próxima de grandes rodovias.
Para a seleção marroquina, o ambiente permite treinar em clima de interior, mas com tecnologia de ponta e padrão de alta performance. Além disso, a equipe explora as trilhas para caminhadas leves e sessões de recuperação ativa. Como complemento, fisiologistas utilizam áreas internas climatizadas para trabalhos de mobilidade e exercícios específicos de prevenção de lesões.
Logística: 5 minutos até o CT e 40 minutos até o MetLife Stadium
Além do luxo e das curiosidades, a operação marroquina em Nova Jersey se desenha a partir das distâncias. O trajeto entre o Somerset Hills Hotel e a Pingry School soma aproximadamente 4,6 km, percurso que leva perto de 5 minutos de carro. Esse deslocamento curto reduz o desgaste dos jogadores, que praticamente entram no ônibus e chegam aos treinos sem enfrentar trânsito ou percursos longos.

Para a estreia da seleção de Marrocos contra o Brasil, o mapa muda de escala. Do centro de treinamento até o MetLife Stadium, palco do duelo em 13 de junho, o deslocamento alcança 58,6 km, com cerca de 40 minutos de viagem. Nesse contexto, a rodovia I-78 ocupa papel central nesse plano. A comissão escolhe o hotel justamente pela proximidade com esse eixo viário, o que permite ao ônibus da delegação fugir de trechos mais congestionados no trajeto em direção à região metropolitana de Nova York.
- Hotel → CT (Pingry School): 4,6 km – cerca de 5 minutos
- CT → MetLife Stadium: 58,6 km – cerca de 40 minutos
Pela manhã, o elenco parte rapidamente para treinos em Basking Ridge. Em dias de jogo, o grupo se desloca com antecedência pela I-78, aproveita o acesso direto e reduz o risco de atrasos causados pelo trânsito típico da região de Nova York. Além disso, a equipe de logística monitora aplicativos de tráfego em tempo real e ajusta eventuais saídas com minutos de folga. Paralelamente, um plano de contingência com rotas alternativas é mantido pronto, caso ocorram acidentes ou bloqueios inesperados nas vias principais.
Brasil e Haiti como vizinhos: o “bairro da Copa” em Nova Jersey
Outro ponto que chama atenção na preparação de Marrocos é o contexto ao redor. O Grupo C concentra suas seleções na mesma área de Nova Jersey, o que fortalece essa dinâmica. O Brasil montou sua base no vizinho The Ridge Hotel, enquanto o Haiti escolheu instalações na mesma zona geográfica. As delegações circulam pelas mesmas estradas, usam saídas próximas da I-78 e seguem acessos semelhantes rumo ao MetLife Stadium.
