Em plena reta final da eleição no Real Madrid, Florentino Pérez afirmou que colocará 150 milhões de euros (R$ R$ 891 milhões) em um atacante de primeira linha caso seja confirmado no cargo neste domingo (7). Bastou a declaração para o mercado reagir: jornais espanhóis, como o AS, e o repórter Fabrizio Romano apontaram Michael Olise, do Bayern de Munique, como principal alvo. Publicamente, o dirigente nega ter escolhido um nome.
A discussão, porém, vai além de quem pode chegar. Com um valor que beira os 900 milhões de reais em jogo, uma pergunta reaparece nos bastidores e entre analistas: qual é, de fato, o saldo das grandes compras do Real Madrid sob o comando de Florentino? Em outras palavras, quando o presidente aposta alto, as cifras costumam recompensar em campo e no balanço?
As contratações mais caras da era Florentino valem o risco?
Um olhar sobre as contratações mais caras da era Florentino ajuda a dimensionar o cenário. Em um recorte de 13 reforços que exigiram cifras de elite, o levantamento aponta sete bem-sucedidos, três discutíveis e outros três avaliados como erros sem atenuantes. Em um mercado inflacionado, a taxa de acerto chama atenção, mas cada falha representa dezenas de milhões de euros e um ruído prolongado na política do Real.

Esse histórico revela um padrão: quando o Real Madrid acerta o alvo, o retorno costuma devastar os adversários, com títulos em sequência e protagonismo global. Quando a aposta derrapa, o peso do valor pago transforma o jogador em símbolo de frustração e expõe o projeto da diretoria a questionamentos públicos.
Quais grandes compras deram retorno imediato ao Real Madrid?
O caso mais emblemático de acerto é o de Cristiano Ronaldo, contratado em 2009 por 94 milhões de euros. Ele transformou o setor ofensivo e o status competitivo do clube: 450 gols em 438 partidas, quatro Champions League, duas La Ligas e uma série de recordes individuais. Em 2018, ainda garantiu uma venda de 117 milhões de euros para a Juventus, raro para um atleta já na casa dos 30 anos.
Jude Bellingham chegou em 2023, vindo do Borussia Dortmund, em uma operação que pode atingir 127 milhões de euros com bônus incluídos — a mais cara do levantamento. Aos 19 anos, assumiu protagonismo, decidiu jogos de La Liga e de Champions e se consolidou como o jogador em torno do qual o elenco é organizado. A diretoria negocia ampliação de contrato até 2030, tratando o inglês como ativo esportivo e econômico central no planejamento.
No meio, Aurélien Tchouaméni representa outro investimento alto com bom encaixe. Contratado por 80 milhões de euros, o francês superou a marca de 150 partidas, ocupou espaço estratégico após saídas de Modric, Kroos e Casemiro e se tornou referência de equilíbrio defensivo. Sem o rótulo midiático de um galáctico clássico, cumpre função estrutural, fundamental para que os talentos mais ofensivos possam atuar com liberdade.

Quais apostas milionárias se transformaram em problemas?
Se o Real Madrid já colheu frutos notáveis com grandes gastos, o outro lado da lista mostra flops pelos quais a torcida ainda cobra respostas. O maior deles? Eden Hazard. Em 2019, o clube pagou 120,8 milhões de euros ao Chelsea para trazê-lo como rosto de uma nova fase do ataque. Lesões, queda física e pouca continuidade em campo limitaram sua passagem a sete gols em 76 jogos. A rescisão de contrato em 2023 e a aposentadoria imediata consolidaram o rótulo de maior fracasso financeiro do ciclo Florentino.
Kaká aparece em posição semelhante. Melhor do mundo em 2007, o brasileiro chegou por 67 milhões de euros, na mesma janela em que Cristiano desembarcou em Madri. O impacto, porém, ficou distante do esperado. Problemas crônicos no joelho, perda de espaço e adaptação complicada ao novo contexto tático reduziram sua participação a 120 partidas em quatro temporadas. Em 2013, o retorno ao Milan por valor muito menor que o investido simbolizou o fim de uma aposta que nunca encontrou cenário ideal.
A lista de falhas inclui ainda Luka Jovic, centroavante contratado em 2019 por 63 milhões de euros após temporada de 27 gols pelo Eintracht Frankfurt. No Bernabéu, o sérvio marcou apenas três vezes em 51 aparições, perdeu espaço rapidamente, acabou emprestado de volta ao clube alemão. Ele saiu para a Fiorentina em 2022 praticamente sem compensar o investimento anterior.
Quem ficou entre o sucesso e a frustração na era Florentino?
Entre os extremos, há reforços caros que deixaram legado complexo: Gareth Bale é o principal exemplo. O galês chegou em 2013 por 101 milhões de euros, tornando-se o jogador mais caro da época. Em campo, participou de momentos decisivos — como o gol da arrancada na final da Copa do Rei de 2014 e a bicicleta na final da Champions de 2018 — e fez parte de um ciclo com cinco títulos europeus.
Ao mesmo tempo, acumulou lesões, conviveu com longos períodos fora da rotação principal, voltou por empréstimo ao Tottenham. Bale encerrou a passagem em meio a desgaste, simbolizado pela bandeira “Gales. Golf. Madrid. Nessa ordem”.
James Rodríguez, comprado em 2014 por 75 milhões de euros após ser artilheiro da Copa do Mundo no Brasil, viveu roteiro parecido de avaliação. Começou bem, empilhou gols, assistências e conquistou seis títulos com o Real Madrid. Com o tempo, perdeu espaço, passou por dois empréstimos ao Bayern de Munique e foi vendido ao Everton em 2021.

As compras “baratas” que definiram a era Florentino
Alguns movimentos fora do topo das cifras ajudaram a moldar a identidade recente do clube. Em 2000, Luís Figo trocou o Barcelona pelo Real Madrid por 62 milhões de euros, em operação que misturou estratégia esportiva e ruptura política. O português atuou por cinco temporadas no Bernabéu e se tornou símbolo da virada de chave que marcou o início da gestão Florentino.
Dois anos depois, o clube trouxe Ronaldo Fenômeno por 45 milhões de euros. O atacante chegou cercado de dúvidas físicas, mas rapidamente se firmou como referência ofensiva, acumulando gols e protagonizando grandes noites no estádio. Em 2007, saiu por 7,5 milhões, valor que não traduz totalmente o peso que teve para a imagem do Real Madrid naquele período.
A estratégia de unir campo e mercado ganhou outro rosto em 2003 com David Beckham, contratado por 25 milhões de euros (com gatilhos para chegar a 35 milhões). Em termos esportivos, o inglês teve rendimento correto, com uma La Liga conquistada e participação constante. Comercialmente, ajudou a expandir a marca Real Madrid em escala global, atraindo novos patrocinadores e ampliando a presença do clube em diferentes continentes.
No quesito custo-benefício, Karim Benzema se destaca. O francês foi contratado em 2009 por 35 milhões de euros, conviveu com questionamentos nas primeiras temporadas e, com o tempo, assumiu protagonismo ofensivo. Ao se despedir em 2023, tinha 353 gols, 25 títulos e uma Bola de Ouro, em um dos pacotes mais eficientes da era Florentino, considerando o valor pago e o retorno obtido.
O que o histórico diz sobre uma eventual contratação de Michael Olise?
Em meio a esse balanço, o nome de Michael Olise surge como próximo possível capítulo da lista. O atacante, hoje no Bayern de Munique e na seleção francesa, tem 25 anos, atua aberto, ataca em velocidade e oferece capacidade de finalização e drible em espaços curtos. Perfil, idade e contexto competitivo o colocam exatamente na faixa de jogadores que o Real Madrid costuma mirar quando decide dar um salto no mercado.
O principal obstáculo, neste momento, não está nas características do francês, mas na postura do Bayern. O presidente do clube alemão declarou que não venderia Olise “nem por 200 milhões de euros”, indicando resistência forte à saída, mesmo diante de ofertas muito altas. Ainda assim, segundo informações divulgadas na Espanha, a diretoria merengue está pronta para testar esse limite caso Florentino seja reeleito.
