Durante cinco anos seguidos, o Palmeiras de Abel Ferreira tratou a fase de grupos da Libertadores como zona de conforto, empilhando campanhas quase perfeitas e lideranças gerais. Em 2026, porém, o cenário mudou: o rendimento despencou, o time perdeu segurança coletiva e chegou à rodada final ameaçado até de eliminação.
Com apenas 53% de aproveitamento antes do último jogo do Grupo F, o Palmeiras vive a pior campanha da era Abel nesta fase. O clube depende de combinação de resultados para garantir a liderança e pode até ficar fora do mata‑mata em caso de derrota. A queda não se explica só pelos números, mas também em como o time passou a atacar, defender e sair jogando.
O “modo Libertadores” de Abel entre 2021 e 2025
Entre 2021 e 2025, o Palmeiras construiu uma rotina de domínio na fase de grupos. Nesse período, o aproveitamento raramente desceu do patamar de “candidato a melhor campanha geral”. Em 2021, por exemplo, o time somou 83,3% dos pontos. Já em 2022, atingiu 100% de aproveitamento, repetindo a perfeição em 2025. Em 2023, voltou a 83,3%, e em 2024 ainda manteve 77,8%.
- 2021: 15 pontos (5 vitórias e 1 derrota – 2ª melhor campanha geral)
- 2022: 18 pontos (6 vitórias – Melhor campanha geral)
- 2023: 15 pontos (5 vitórias e 1 derrota – Melhor campanha geral)
- 2024: 14 pontos (4 vitórias e 2 empates – 3ª melhor campanha geral)
- 2025: 18 pontos (6 vitórias – Melhor campanha geral)
Abel armava a equipe a partir de estruturas como 4‑3‑3 ou 4‑2‑3‑1, mas com comportamentos muito claros. A defesa marcava em bloco médio‑baixo, linhas curtas, zona bem protegida e liberdade para o setor da bola subir a pressão. O objetivo: recuperar a posse em regiões controladas e disparar transições rápidas em profundidade.
Na construção, o time usava saída com três homens na base e dois médios à frente, formando um 3‑2 que dava suporte imediato em caso de perda de bola. Essa engenharia permitia duas coisas ao mesmo tempo: acelerar quando roubava perto do gol rival e esfriar o jogo quando precisava segurar o resultado, principalmente fora de casa.
Quais mudanças enfraqueceram o modelo vencedor?
A partir de 2023, o técnico começou a mexer na forma de defender e atacar, tentando tornar o Palmeiras ainda mais agressivo. A mudança mais visível apareceu na marcação. O time passou a abandonar a zona pressionante rígida e a flertar com encaixes individuais em mais momentos do jogo.
Na prática, o time deixou de priorizar a proteção de espaços para perseguir adversários em áreas maiores do campo. Isso abriu brechas para bolas nas costas da linha defensiva e contra‑ataques mais claros. Quando não conseguia definir nas primeiras transições, o Palmeiras passou a sofrer mais. Esse padrão ficou mais evidente nas campanhas de 2024 e, sobretudo, na de 2026.
A saída de bola também entrou em nova fase. Antes, o 3‑2 na base garantia linhas de passe curtas e um “círculo de segurança” atrás da bola. Com o tempo, Abel adiantou um dos volantes para atuar tipo terceiro meia, em busca de presença ofensiva. O efeito colateral? Menos opções sob pressão, mais passes forçados e maior exposição a contra‑ataques quando perde posse ainda na construção.
Libertadores 2026: o alerta para Abel Ferreira
Em 2026, a queda de desempenho do Palmeiras na fase de grupos virou dado concreto. No Grupo F, ao lado de Cerro Porteño, Junior Barranquilla e Sporting Cristal, o time chegou à última rodada na segunda posição, com 8 pontos: duas vitórias, dois empates e uma derrota. Os paraguaios lideram com 10, e os peruanos somam 6 em terceiro lugar.
Os empates fora contra Cerro e Junior indicam uma queda de rendimento como visitante, enquanto o tropeço em casa, para o Cerro, quebrou a sensação de controle que o clube carregava. Torcida organizada protestou, a cobrança sobre o treinador aumentou e vitórias pontuais em outros torneios, como diante do Flamengo, apenas reduziram momentaneamente a temperatura.

Quais são os cenários de classificação do Palmeiras?
Na rodada final, o Palmeiras enfrenta o Junior Barranquilla no Allianz Parque. O time colombiano já está eliminado e ocupa a lanterna do grupo. Em Assunção, o Cerro Porteño, líder com 10 pontos, recebe o Sporting Cristal, que ainda briga por vaga com 6 pontos.
Os desdobramentos possíveis dependem diretamente do resultado no Allianz e em Assunção:
- Vitória do Palmeiras sobre o Junior Barranquilla
Com triunfo, o Palmeiras chega a 11 pontos e se garante nas oitavas de final.
- Para terminar em 1º, precisa que o Cerro não vença o Sporting:
- Se o Cerro empatar, também vai a 11 pontos, e a liderança se decide nos critérios de desempate.
- Se o Cerro perder, o Palmeiras assume a liderança do grupo.
- Empate com o Junior Barranquilla
Nesse caso, o Palmeiras sobe para 9 pontos. A tendência indica vaga em 2º lugar, porque o Junior não o alcança mais, mas a posição final dependeria do duelo em Assunção.
- Se o Sporting perder, o Palmeiras avança como 2º colocado.
- Se o Sporting vencer, pode igualar a pontuação palmeirense, levando a definição para os critérios de desempate.
- Derrota para o Junior Barranquilla
Com revés, o Palmeiras estaciona em 8 pontos e fica sob risco real. A classificação passa a depender diretamente do resultado entre Cerro e Sporting Cristal.
- Se o Sporting vencer, chega a 9 pontos e pode ultrapassar o Palmeiras.
- Nesse cenário de vitória peruana e derrota alviverde, a eliminação na fase de grupos deixa de ser hipótese remota e entra no campo das possibilidades concretas, algo inédito na era Abel.
