O skate vai muito além das manobras. A prática do esporte pode ser um importante espaço de descoberta, confiança e pertencimento. É a partir desse contexto que nasce o Guia de Boas Práticas: Meninas, Skate & Transformação, lançado pela Nike em parceria com Rayssa Leal, Laureus Sport for Good e Rede Esporte pela Mudança Social, além do apoio técnico da ONG Social Skate, referência no desenvolvimento do skate educacional no país.
O material reúne aprendizados práticos do programa “Skate pela Mudança Social”, que apoiou três ONGs do Nordeste com o objetivo de incentivar meninas por meio da prática esportiva, fortalecendo a confiança em si mesmas e no próprio futuro. Mais de 170 crianças e adolescentes foram impactados, entre eles 90 meninas que passaram a ocupar novos espaços com mais segurança e autonomia.
“O ‘Skate pela Mudança Social’ materializa o propósito da Nike de impulsionar o poder transformador do esporte. Ao longo do programa, vimos como o acesso ao skate para crianças pode abrir caminhos, fortalecer a confiança e ampliar oportunidades, especialmente para meninas. “A iniciativa reforça a importância de apoiar projetos que geram impacto em suas comunidades, ao mesmo tempo em que promove conexão e engajamento de novos agentes nessa construção coletiva”, destaca Bruno Teixeira, gerente executivo de Comunicação e Propósito da FISIA, distribuidora da Nike no Brasil.
Com o objetivo de ampliar o impacto do programa, os aprendizados dessa jornada foram sistematizados em metodologias e práticas que podem ser replicadas por outras organizações. O guia, voltado para gestores e educadores, conta com uma carta da atleta Rayssa Leal dedicada às meninas e apresenta conteúdos sobre o skate como ferramenta de desenvolvimento para além do esporte, além da importância da criação de espaços seguros e acolhedores, do fortalecimento da confiança e do senso de pertencimento.
“Ver o skate transformando a vida dessas meninas é algo que me emociona muito, porque eu sei exatamente o que ele fez por mim. Ter participado dessa iniciativa que contemplou a região onde nasci e ver o esporte entrando na rotina delas é mostrar que a gente pode ocupar qualquer lugar. O skate ensina que a gente cai, mas levanta mais forte. É sobre amizade, sobre acreditar que o nosso sonho não tem limites e saber que, juntas, estamos ajudando a transformar o esporte no Brasil”, afirma Rayssa Leal.
Rede de impacto
Com atuação em comunidades do Ceará e de Pernambuco, o programa beneficiou diretamente o Instituto Esporte Mais, em Fortaleza, a Associação Atletas Sal e Luz, em Amontada, e a Associação Conexão Social, em Lagoa de Itaenga.
Durante dois anos, as organizações receberam apoio financeiro, equipamentos esportivos e acompanhamento técnico, além de um processo estruturado de formação que totalizou mais de 100 horas de capacitação, sendo 80 horas presenciais e 20 horas online para gestores e educadores, com foco em temas como equidade de gênero, salvaguarda e pedagogia do skate educacional.
Também foram promovidos espaços de intercâmbio por meio de festivais e eventos, fortalecendo vínculos, incentivando trocas de experiências e consolidando uma rede colaborativa.
“Depois do skate, eu consegui confiar mais em mim e nas pessoas. Eu aprendi a não abaixar a cabeça. Porque, a cada vez que a gente abaixa a cabeça, está dando as costas para o nosso sonho”, contou Maria Sophia, da Associação Conexão Social.
Nesse processo, a presença de referências femininas como a de Rayssa Leal teve papel central. “Ela é uma esperança de que a gente também pode ser skatista”, resume Ana Clara, também da Associação Conexão Social.
“Eu sou muito grata pelo que vivo hoje. Porque eu viajei para São Paulo e conheci a Rayssa, eu não tinha noção de que viveria tudo isso”, comentou Maria Esther, do Instituto Esporte Mais. “Eu acho que toda criança, principalmente as meninas, tem o direito de andar de skate. Então, os pais que não deixam, permitam que seus filhos e filhas testem coisas novas da vida. Que também possam viver o que eu estou vivendo através do skate. Se eu vivo isso, outras meninas também podem viver!”, completou.
Além do impacto positivo na vida das meninas, o programa também contribuiu para o fortalecimento das organizações participantes, que seguem com seus projetos de skate ativos após o ciclo de investimento reflexo direto da construção de autonomia e da qualificação do trabalho desenvolvido ao longo do período.
“Quando criamos espaços de troca e aprendizado, fortalecemos não só os projetos, mas principalmente as pessoas que estão por trás deles. Precisamos de profissionais e educadores cada vez mais preparados, motivados e reconhecidos pelo papel que ocupam. É assim que o esporte se transforma em uma ferramenta real de impacto social”, afirma Sandro Testinha, fundador da ONG Social Skate.
