A número um do mundo, Aryna Sabalenka, sacudiu os bastidores do esporte nesta terça-feira, 05, ao afirmar que os tenistas podem boicotar o Aberto da França caso as premiações não aumentem. O clima de tensão entre os atletas e a organização de Roland Garros atingiu o ápice após a divulgação de que os valores pagos, embora milionários, representam uma fatia pequena da receita total do evento.
O impasse gira em torno da porcentagem da receita destinada aos competidores. Enquanto os jogadores exigem 22% dos ganhos para se equipararem aos torneios combinados da ATP e WTA, as estimativas indicam que a premiação atual de 61,7 milhões de euros ainda não alcança sequer os 15% do faturamento total. Durante o Aberto da Itália, Sabalenka foi enfática ao ser questionada sobre até onde as exigências poderiam chegar. “Acho que em algum momento vamos boicotá-lo (o torneio), sim. Acho que essa será a única maneira de lutar por nossos direitos”, disparou a bielorrussa.
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Comparação com rivais
Para a líder do ranking, o entretenimento oferecido justifica uma valorização maior de quem entra em quadra para competir. “Sinto que o show é por nossa conta. Sinto que sem nós não haveria torneio e não haveria esse entretenimento”, acrescentou Sabalenka. O cenário ganha força ao observar os números da concorrência: o US Open ofereceu US$ 90 milhões no último ano, enquanto o Aberto da Austrália atingiu recorde de A$ 111,5 milhões em 2026, deixando o Grand Slam francês para trás na corrida financeira.
Mesmo com a postura rígida, a tenista sinalizou que ainda acredita em uma solução diplomática antes do início da competição em Paris. “Eu realmente espero que todas as negociações que estamos tendo, em algum momento, cheguem à decisão certa”, ponderou Sabalenka. Contudo, a Federação Francesa de Tênis ainda não comentou a ameaça de debandada. O aumento de 5,4 milhões de euros em relação a 2025 parece não ter sido suficiente para acalmar os ânimos, e o risco de um esvaziamento técnico sem precedentes em Roland Garros permanece real.
