O imbróglio jurídico entre Gerson e o Flamengo ganhou contornos dramáticos nesta quarta-feira, 1º de abril, com acusações de traição e violações de direitos trabalhistas. Atualmente no Cruzeiro, o meio-campista protocolou sua contestação na 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro, reagindo à cobrança de R$42,7 milhões movida pelo clube carioca contra ele e a empresa de seu pai, a FGM Sports. Na peça defensiva, os advogados do atleta foram incisivos ao descrever o jogador como um “cordeiro mudo levado ao matadouro”, alegando que o Rubro-negro agiu sede de vingança após sua transferência para o Cruzeiro.
A defesa do atleta não se limitou a rebater a cobrança e contra-atacou listando uma série de abusos que teriam sido cometidos pela cúpula flamenguista. O ponto central da revolta é o descumprimento do pagamento de R$6.304.999,92 referentes a bonificações de luvas que nunca teriam chegado às mãos do jogador. Além disso, os advogados afirmam que, durante o Mundial de Clubes de 2025, o clube teria feito o meia assinar recibos de premiações sem data que jamais foram quitadas, configurando uma grave irregularidade administrativa.
Outro argumento de peso na contestação envolve a redução drástica da multa rescisória na última renovação, que caiu de 200 milhões de euros para 25 milhões de euros. Segundo o documento, Gerson teria sido induzido a assinar papéis manuscritos, orientados pelo RH do Flamengo, sob a justificativa de que seriam apenas “praxes burocráticas”. A defesa alega que o clube utilizou esses documentos para simular um pedido de demissão unilateral e, assim, fundamentar a ação judicial atual, agindo com má-fé negocial desde o início da transação com o Zenit, da Rússia.
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Vingança política e o fator Cruzeiro
A narrativa apresentada à Justiça sugere que o Flamengo só acionou o jogador quando ele decidiu retornar ao Brasil para vestir a camisa do Cruzeiro. A defesa sustenta que o presidente do clube carioca nutre uma “sede de vingança” por Gerson ter sido repatriado justamente pelo time gerido por Bruno Spindel, ex-diretor de futebol demitido da Gávea. Para os representantes do meia, o processo é um artifício para prejudicar o rendimento esportivo do atleta e de seu novo empregador, utilizando o judiciário como extensão de conflitos políticos internos.
Até o momento, o Flamengo não se manifestou oficialmente sobre os novos desdobramentos e as graves acusações de burla à Lei Trabalhista citadas na peça. O processo segue em tramitação, e o jogador mantém o silêncio público.
