Nesta terça-feira, 24, o ex-jogador brasileiro Jr Moraes quebrou o silêncio sobre os bastidores de sua fuga da Ucrânia em 2022. Sozinho em Kiev quando a Rússia iniciou a invasão, o atleta assumiu a responsabilidade de liderar um grupo de 41 pessoas — incluindo jovens jogadores e bebês — em um bunker improvisado. Munido de sua experiência de dez anos no país e fluência em quatro idiomas, ele coordenou uma operação logística arriscada sob bombardeios constantes para garantir que ninguém ficasse para trás, transformando o trauma da guerra em uma lição de liderança que agora ganha as páginas de seu novo livro.
Os bastidores
A responsabilidade de guiar tantas vidas recaiu sobre o brasileiro não por acaso; sendo o mais experiente e fluente em quatro idiomas, ele se tornou a única ponte de comunicação viável. Em um cenário de temperaturas negativas e escassez de mantimentos, a atuação de Jr Moraes na guerra foi estratégica para manter a calma e a segurança de todos. “Eu não escolhi estar em uma guerra, muito menos liderar um grupo de 41 pessoas naquele período. Mas meu compromisso interno não me deixou ir embora sozinho”, relembra o jogador, que utilizou uma rede de contatos construída em dez anos no país para viabilizar a fuga.
A operação de saída foi um quebra-cabeça perigoso, envolvendo diretores de clubes, motoristas e autoridades em estradas bloqueadas e postos de combustível vazios. Sem dormir e sob pressão extrema, Moraes transformou o medo em ação, garantindo que ninguém ficasse para trás. Essa experiência traumática e transformadora agora ganha as páginas da obra “A estratégia da mente blindada”, publicada pela Editora Gente, onde o ex-atleta detalha como a resiliência física e mental foi sua maior aliada no epicentro do conflito.
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Antes de enfrentar os mísseis, Jr Moraes já havia vencido uma guerra particular: uma lesão gravíssima no joelho que, segundo médicos, deveria ter encerrado sua carreira. O retorno improvável em apenas sete meses, seguido pela conquista da liderança no campeonato, serviu como o treinamento psicológico necessário para o que viria depois.