O Comitê Paralímpico Ucraniano confirmou que seus atletas não participarão da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, agendada para o dia 6 de março, em Verona. O movimento de boicote é uma resposta direta à autorização dada pelo Comitê Paralímpico Internacional (CPI) para que competidores da Rússia e de Belarus utilizem suas bandeiras e hinos nacionais durante a competição.
Revolta contra bandeiras russas
A indignação com a medida, classificada pelos ucranianos como “escandalosa”, gerou uma onda de apoio imediato na Europa. Poucas horas após o anúncio de Kiev, o Comitê Paralímpico Tcheco também oficializou sua adesão ao protesto, confirmando que não participará de nenhuma forma do evento inaugural. O descontentamento ucraniano cresceu porque o CPI deu “vagas de presente” (convites diretos) para russos e bielorrussos, permitindo que eles entrem na competição sem passar pelas seletivas obrigatórias que os outros atletas enfrentaram.
Nos bastidores, o governo ucraniano já havia sinalizado a insatisfação na última quarta-feira, 18, ao anunciar que nenhum representante oficial do país compareceria aos Jogos. A pressão aumentou com o apoio de Glenn Micallef, comissário da União Europeia para o Esporte, que também cancelou sua presença na cerimônia. Para as autoridades, permitir o uso de símbolos nacionais da Rússia e de Belarus enquanto o conflito armado persiste fere os valores fundamentais do movimento paralímpico global.
Apesar da ausência no desfile, o presidente do Comitê Ucraniano, Valery Sushkevich, descartou um abandono total das provas. A estratégia da delegação é marcar presença nas disputas para evitar que os adversários vençam por W.O. “Se não formos, Putin poderá reivindicar uma vitória sobre os atletas paralímpicos ucranianos e sobre a Ucrânia. Isso não vai acontecer!”, disparou o dirigente. A Ucrânia é uma potência nos Jogos de Inverno, tendo conquistado o segundo lugar geral no quadro de medalhas em Pequim-2022.
Olimpíadas de Inverno
Enquanto o clima de boicote domina as discussões em Verona, a situação nas Olimpíadas de Inverno, que ocorrem em paralelo, é distinta. Lá, os russos competem sob bandeira neutra e sem qualquer menção aos seus símbolos nacionais. Na última quinta-feira, 19, o russo Nikita Filippov conquistou a prata no esqui de montanha como atleta neutro, admitindo o sentimento de tristeza ao ver outras nações desfilarem com seus uniformes e cores tradicionais.
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