A ascensão das redes sociais transformou a forma como atletas jovens se relacionam com o esporte, o público e com eles mesmos. Se, por um lado, plataformas digitais ampliam visibilidade e oportunidades, por outro, intensificam cobranças, comparações e críticas que podem impactar diretamente a saúde mental de quem ainda está em formação pessoal e profissional.
Hoje, muitos atletas passam a lidar com expectativas públicas antes mesmo de se consolidarem no alto rendimento. Um erro em jogo, uma derrota ou até uma decisão fora de campo rapidamente se transformam em julgamentos nas redes, muitas vezes acompanhados de ataques pessoais.
Especialistas em psicologia do esporte apontam que a pressão digital se soma às exigências naturais da carreira esportiva. Além de treinar, competir e evoluir fisicamente, o atleta passa a administrar imagem, engajamento e opinião pública, tarefas que nem sempre contam com orientação adequada.
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Outro fator de risco é a comparação constante. Redes sociais tendem a mostrar apenas recortes de sucesso, o que reforça a sensação de que todos estão evoluindo mais rápido. Esse cenário pode gerar frustração, desmotivação e a falsa percepção de fracasso, mesmo quando o desempenho esportivo segue dentro do esperado para a idade.
“Se você me perguntar se eu posso dar uma dica para o jogador do Brasil na Copa do Mundo, eu diria que se ele puder não tocar na rede social durante a Copa do Mundo seria muito importante. É uma coisa que eu acho quase impossível“, falou o volante Casemiro, do Manchester United, em entrevista ao site “GE”.
Clubes e comissões técnicas começam a tratar o tema com mais atenção, incluindo acompanhamento psicológico e orientações sobre o uso consciente das redes. A recomendação é que atletas jovens tenham limites claros de exposição, aprendam a filtrar críticas e compreendam que desempenho esportivo não deve ser medido por engajamento digital.
