Treinar ou competir em locais de altitude elevada provoca mudanças significativas no funcionamento do corpo humano. A principal delas está relacionada à menor disponibilidade de oxigênio no ar, condição que exige adaptações imediatas do organismo e pode influenciar diretamente o rendimento físico de atletas e praticantes de atividade física.
Em altitudes acima de 2.000 metros, a pressão atmosférica diminui, reduzindo a quantidade de oxigênio que chega aos pulmões e, consequentemente, aos músculos. Como resposta, o corpo aumenta a frequência respiratória e cardíaca para tentar suprir essa demanda. Nos primeiros dias, é comum surgirem sintomas como cansaço precoce, falta de ar, dor de cabeça e queda no desempenho.
Com o tempo, porém, o organismo passa por um processo de adaptação. Uma das principais respostas é o aumento da produção de glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue. Esse mecanismo melhora a capacidade aeróbica e explica por que muitos atletas utilizam o chamado “treinamento em altitude” como estratégia para ganhos de resistência quando retornam ao nível do mar.
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Apesar dos benefícios potenciais, especialistas alertam que a adaptação não é imediata. O período inicial pode comprometer a qualidade dos treinos e aumentar o risco de desidratação, fadiga excessiva e lesões musculares. Por isso, a carga de exercícios deve ser reduzida nos primeiros dias, respeitando o tempo de aclimatação individual, já que cada um reage de uma maneira.
Outro ponto de atenção é a recuperação. Em altitude, o corpo demora mais para se recuperar entre estímulos intensos, já que o estresse fisiológico é maior. Sono de qualidade, hidratação reforçada e alimentação adequada tornam-se ainda mais importantes nesse contexto. O exemplo mais recente envolvendo o tema foi a ida do Botafogo para enfrentar o Nacional Potosí.
