O novo regulamento técnico da Fórmula 1 para 2026 alterou de forma profunda a forma como as unidades de potência são concebidas e desenvolvidas, equilibrando a participação entre motor a combustão e sistema híbrido e exigindo novos projetos, parcerias e mecanismos inéditos para manter o campeonato competitivo.
Como a reorganização de fabricantes afeta a competitividade na Fórmula 1
Marcas tradicionais seguem no grid com seus próprios propulsores, como Mercedes e Ferrari, enquanto novos participantes entram na disputa por desempenho. A Audi estreia com carro e motor próprios, a Red Bull forma uma aliança de unidade de potência com a Ford, e a Honda passa a fornecer para a Aston Martin.
A Cadillac surge como nova equipe associada à GM, ainda usando motor Ferrari em uma fase inicial, o que amplia o leque de soluções técnicas no grid. Essa reorganização reforça a necessidade de um sistema que ofereça condições mínimas de competitividade entre fabricantes e mantenha a Fórmula 1 atraente para novos investimentos.

O que é o ADUO na Fórmula 1 moderna
Para lidar com possíveis diferenças de desempenho entre fabricantes de motor, a FIA criou o ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização). O mecanismo está diretamente ligado à nova geração de unidade de potência da Fórmula 1 e busca acelerar a evolução de quem ficar para trás.
Em vez de tentar igualar artificialmente os carros, o objetivo é oferecer mais ferramentas de desenvolvimento às fabricantes com déficit de potência. Esse modelo foi pensado para se encaixar na realidade do teto orçamentário e da transição para uma F1 mais híbrida, eficiente e sustentável em médio prazo.
Como funciona o monitoramento de desempenho do ADUO
O funcionamento do ADUO parte de uma análise detalhada da performance dos motores ao longo do campeonato, feita pela FIA com base em dados de telemetria e medições padronizadas. A entidade busca neutralizar variáveis como altitude, temperatura e características das pistas para comparar apenas o potencial das unidades de potência.
A FIA mede a potência das unidades de potência em três blocos de seis corridas, fazendo uma média robusta. Se um fabricante estiver, por exemplo, mais de 2%, 4% ou 6% abaixo em potência em relação ao melhor motor de combustão interna, passa a ter direito a benefícios graduais, sempre proporcionais ao tamanho da desvantagem.
Como o ADUO ajuda as unidades de potência mais fracas
Os benefícios do ADUO se concentram em três frentes principais: horas extras de desenvolvimento, maior flexibilidade de homologação e alívio no orçamento para motor. Isso impacta diretamente a forma como cada fabricante trabalha sua unidade de potência da F1 ao longo da temporada, sem alterar o regulamento técnico em pista.
Esses benefícios são acionados conforme o grau de defasagem e servem como um “empurrão” regulatório para acelerar a curva de aprendizado. Entre as principais vantagens previstas pelo sistema, destacam-se:
- Mais horas de dinamômetro: permite realizar mais testes de banco de provas, simulando diferentes cenários de corrida e explorando mapas de motor e soluções de eficiência.
- Mais oportunidades de homologação: amplia o número de atualizações permitidas, dando chance de corrigir deficiências de projeto com mais rapidez.
- Maior flexibilidade no teto de gastos: cria uma margem adicional específica para o desenvolvimento da unidade de potência, reduzindo o risco de estourar o orçamento geral.
Segundo a lógica da FIA, sem esse tipo de ferramenta, uma marca que começa em desvantagem poderia permanecer presa a um cenário de baixo desempenho por várias temporadas. Em um ambiente de teto orçamentário, gastar mais para recuperar terreno ficaria limitado, o que poderia levar algumas fabricantes a avaliar a continuidade no esporte.
O ADUO é um balanceamento de desempenho disfarçado
Uma dúvida frequente é se o ADUO seria uma espécie de “balanceamento de desempenho” (BoP), recurso utilizado em outras categorias do automobilismo. A FIA, no entanto, deixa claro que a proposta é diferente e não interfere diretamente nos parâmetros de cada carro em um fim de semana específico.
No BoP tradicional, o regulador ajusta peso, potência ou aerodinâmica para aproximar o desempenho em pista. Na Fórmula 1, com o ADUO, todos continuam correndo com o mesmo regulamento técnico, sem ajustes artificiais; o foco é apenas abrir mais espaço de trabalho para quem está atrás, preservando o caráter competitivo e tecnológico da categoria.
Qual o impacto do ADUO para novos fabricantes e para o futuro da F1
O ADUO também foi pensado para tornar a entrada de novos fabricantes de motor menos arriscada e mais previsível em termos de planejamento. A Fórmula 1 acumula décadas de conhecimento em chassi, aerodinâmica e propulsão híbrida, o que cria uma barreira natural de competitividade para estreantes.
Nesse contexto, o mecanismo de oportunidades adicionais de desenvolvimento funciona como um incentivo à participação, limitando o risco de se ficar permanentemente no fundo do grid. A possibilidade de receber mais horas de teste, mais janelas de atualização e algum alívio no orçamento em caso de problemas sérios de confiabilidade evita que um projeto seja abandonado por falta de perspectiva técnica.
- Entrada de nova fabricante com motor próprio.
- Avaliação de desempenho nos primeiros blocos de corridas.
- Identificação de déficit de potência acima dos limites definidos.
- Concessão de benefícios do ADUO para acelerar a evolução.
- Redução gradual da diferença de performance ao longo da temporada.
Com o novo regulamento híbrido, o fortalecimento da parte elétrica e o ADUO em vigor, a tendência é que a disputa entre fabricantes se desenvolva em ciclos mais curtos. O equilíbrio não é garantido, mas o sistema oferece caminhos concretos para que, com trabalho técnico consistente, qualquer projeto de unidade de potência tenha chance real de alcançar o topo do grid nos próximos anos.





