O documentário Ladies First foi lançado em 2017 e estreou globalmente em 8 de março de 2018, Dia Internacional da Mulher, pela Netflix, como um filme biográfico de aproximadamente quarenta minutos. Dirigido por Uraaz Bahl e Shaana Levy Bahl, o filme acompanha Deepika Kumari — nascida no vilarejo de Ratu, na Índia — desde sua infância em pobreza extrema até se tornar a principal arqueira feminina do mundo antes dos vinte anos.
Quais desafios mulheres jovens enfrentam no esporte?
Um dos principais desafios enfrentados por mulheres jovens no esporte é a desigualdade estrutural. Falta de patrocínio, menos oportunidades de competição e menor investimento afetam diretamente o desenvolvimento das atletas desde cedo. Além disso, questões culturais e preconceitos de gênero contribuem para uma pressão adicional: muitas meninas são desencorajadas a competir ou consideradas “menos aptas” para esportes de alto rendimento.
As experiências de Deepika mostram essa realidade: em sua região, meninas tinham poucas chances de acessar educação ou esportes, e treinamentos muitas vezes dependiam de equipamentos improvisados e apoio familiar restrito.

Quem é Deepika Kumari e por que ela importa?
Deepika Kumari é a protagonista do documentário e um símbolo de superação. Crescida em um cenário de pobreza e limitada pela desigualdade de gênero em seu país, ela encontrou no tiro com arco uma forma de expressar talento e ambição.
Treinando de forma precoce e mostrando aptidão natural, Deepika evoluiu rapidamente, chegando a representar a Índia em competições internacionais ainda na adolescência. Ao longo da narrativa, o filme mostra não apenas conquistas, mas também as pressões e lacunas de apoio enfrentadas por uma atleta feminina de elite.
Como o esporte atua como ferramenta de transformação social?
O esporte se torna ferramenta de transformação social ao romper ciclos de exclusão e oferecer oportunidades de ascensão para jovens com potencial — especialmente quando essas oportunidades são historicamente negadas. No caso da protagonista, o arco permite que Deepika acesse treinamentos profissionais, progrida em competições de alto nível e ganhe visibilidade que sua comunidade por si só não proporcionaria.
Projetos como o Ladies First: na mira do futuro ilustram como o esporte pode ser mais que competição: ele constrói narrativa de agência, força psicológica e mobilidade social para mulheres jovens que enfrentam barreiras amplas.
Quais fatos poucos conhecem sobre o esporte feminino de base?
Pouca gente sabe que a maior evasão feminina no esporte ocorre na adolescência, momento em que faltam patrocínio, suporte técnico e incentivos continuados. É uma fase em que muitas jovens abandonam o sonho de ser atleta.
Outro ponto pouco discutido é a falta de acompanhamento psicológico. A combinação de pressão por resultados, pouca estrutura de apoio e inseguranças externas pesa demais na rotina de jovens atletas.No documentário, vemos como Deepika lida com esses desafios, especialmente a expectativa de alcançar medalhas olímpicas sem suporte governamental robusto.
Quais mitos ainda cercam mulheres jovens no esporte?
Um mito persistente é a ideia de que mulheres são menos competitivas ou menos resilientes em cenários de alto rendimento. A história de Deepika desconstrói isso de forma direta, mostrando dedicação, preparação e desempenho de elite.
Outro equívoco é acreditar que o esporte feminino não gera interesse do público. Com investimentos adequados e narrativas cativantes, produções como este documentário mostram que existe grande audiência e valorização quando histórias fortes são apresentadas. Esses mitos, muitas vezes internalizados, sustentam desigualdades que iniciativas culturais e esportivas buscam reverter.
Qual é o impacto do projeto para as novas gerações?
O impacto de “Ladies First: na mira do futuro” vai além de um relato individual. Ao tornar pública a trajetória de Deepika, o documentário cria referências reais para meninas em situação semelhante.
Ver alguém superar limitações estruturais e atingir reconhecimento global amplia a sensação de possibilidade para outras jovens, inspirando famílias e comunidades a apoiar garotas no esporte. O potencial de mudança de mentalidade é grande: cada história de superação contribui para ampliar espaço, visibilidade e credibilidade ao esporte feminino.
O que podemos aprender com Ladies First na mira do futuro?
O documentário mostra que o maior obstáculo no esporte feminino não é falta de talento, mas a ausência de oportunidades estruturadas e visibilidade contínua. Quando há apoio, visibilidade e investimento desde cedo, trajetórias podem ser transformadas, e o esporte se fortalece como ferramenta de inclusão, cultura e desenvolvimento social.
Mais do que resultados esportivos, o filme nos convida a refletir: quantas futuras campeãs não estão escondidas por falta de chance.





