Criador do termo “Democracia Corinthiana”, Juca Kfouri se consolidou como um dos jornalistas esportivos mais influentes da imprensa brasileira, aliando experiência, posicionamento crítico e protagonismo nos principais debates do futebol nacional. Para continuar a entrevista iniciada na segunda-feira (12), ele é o convidado de Ronnie Von no programa “Companhia Certa”, que será exibido nesta quarta-feira (14), à 0h, na RedeTV!.
Aos 75 anos, sendo 50 dedicados à comunicação, Juca recorda um dos episódios mais desafiadores da carreira, vivido durante o período em que atuava na revista “Placar”, quando publicou uma grande matéria desmascarando um esquema fraudulento de apostas. “Aprendi o seguinte: fique preocupado quando você estiver fazendo uma coisa que, em tese, te põe em risco e ninguém te ameaça, porque é capaz de te pegarem. Se te ameaçarem, não vão te pegar!”, aponta.
A investigação teve início a partir de uma conversa com o diretor da revista que o antecedeu, Milton Coelho da Graça. “Um belo dia ele me diz, tem mutreta na Loteria Esportiva”. Após a saída de Milton, Juca assumiu seu cargo e decidiu dar continuidade ao trabalho. “[Eu] desafiava os repórteres. ‘Quem é macho para ir atrás do escândalo da loteria?’ Ninguém foi, então eu fui!”.
Mesmo sem avanços imediatos, a insistência rendeu frutos. “Continuei desafiando os repórteres, até que um dia Sérgio Martins entra na minha sala e diz: ‘Tem uma quadrilha que está manipulando o resultado’”. A publicação confirmou as suspeitas e teve repercussão imediata. “Quando essa matéria saiu, foi um escândalo nacional”, conta.
Segundo o convidado, com a repercussão do caso, as ameaças passaram a fazer parte de sua rotina. “Ligavam para mim na Editora Abril, falavam em castelhano. ‘Sei onde estudam os seus filhos, sei onde você mora’”. Diante da gravidade da situação, a editora passou a disponibilizar segurança pessoal ao comunicador.
Durante a conversa, o jornalista relembra um desdobramento do episódio, após a adoção das medidas de proteção. Ao chegar em casa de madrugada, encontrou o profissional responsável por protegê-lo dormindo. “Desci do carro e tirei o revólver do coldre dele. Ele se assustou e eu disse: ‘A única coisa que não quero é ser morto com a sua arma’ […] No dia seguinte cheguei na Abril e falei: Por favor, tirem o segurança. Estou mais inseguro com ele’”, relata.
A segunda parte da entrevista com Juca Kfouri será exibida no “Companhia Certa” desta quarta-feira (14), à 0h, na RedeTV!





